Depois do episodio anterior sendo criança, aquilo foi como um ralado no joelho os dias passaram e eu de alguma forma fiquei bem, porem um dia meus pais resolveram mudar de cidade, para qualquer um seria dificil mudar de casa,escola, cidade e eu nao sei mas assim que soube da noticia senti algo ruim, um calafrio e nao queria mudar de maneira alguma... e eu tinha tanto direito a opinar quanto qualquer estranho, ou seja mudamos assim mesmo...
Ai que meus dias se tornaram realmente rotineiros!
Teve dias em que achei no minimo curioso, normalmente nós ficamos alertas na rua, proximo a estranhos, entretanto quando em casa finalmente se baixa a guarda pesada que carregou durante o dia ja comigo eu tinha de dobrar os cuidados...
Teve dias em que achei no minimo curioso, normalmente nós ficamos alertas na rua, proximo a estranhos, entretanto quando em casa finalmente se baixa a guarda pesada que carregou durante o dia ja comigo eu tinha de dobrar os cuidados...
Como posso explicar rapidamente o sobrado pro qual me mudei...hm:
- Basicamente era enorme, tinha o portao da garagem e ao lado uma porta que dava acesso as escadas, ao fim das escadas duas portas uma para a cozinha e outra para a sala, na sala haviam tres portas: esta das escadas, uma que dava acesso ao corredor onde ficavam os quartos, banheiro e cozinha e outra porta que dava acesso a varanda. Na varanda tinham duas portas a da sala e uma do quarto dos meus pais...bom tem mais pontos pra explicar mas com esse previo entendimento voce ja pode imaginar um pouco dos meus dias la.
O dia estava lindo
Vou contar uma ocasião que de certa maneira elucidou o quanto eu estava desprotegida de qualquer forma. Meus pais sairam e eu nao quis ir junto, fiquei sozinha na casa e como toda pré-adolescente estava animada para ligar o radio bem alto e ouvir as musicas que mais gostava, não demorou muito assim que o girei o botão do volume ouvi me chamarem la da porta ao lado da garagem, abaxei a musica para saber quem era e nao ouvi mais me chamarem, olhei pela janela da sala onde dava para ver toda a frente da casa e não havia ninguem, entao quando fui aumentar a musica ouvi novamente meu nome sendo gritado das escadas... lembro ate hoje da minha inocencia do momento...
-Mãe?
Ninguem respondeu, antes de aumentar novamente o radio gritei:
-Mãe, to aqui em cima na sala, sobe.
É não era minha mãe mas algo me obedeceu, assim que fui tocar no volume do radio para aumentar, algo encostou nos meus ombros (nao vi ninguem) e gritou ao lado do meu ouvido esquerdo meu nome- PARALIZEI, congelei... pensei em correr, em sair da casa mas fugir do que exatamente, nao havia nada ali porem era tao real quanto chutar com o dedinho do pe o canto do sofa.Me senti tao indefesa, tao vulneravel que apenas desliguei o radio me sentei no sofá e ali fiquei, talvez algumas longas horas me sentindo observada.
Com o tempo não apenas via, ouvia mas sentia também. Conseguia saber quando alguém estava se aproximando, mesmo que distante e sem ver, era como se todo o comodo tivesse sua própria energia e a presença de uma pessoa viva ou morta alterasse completamente aquele equilíbrio e quanto mais próxima mais meu corpo sinalizava como uma defesa. O medo pode nos alterar de formas inimagináveis, ainda mais uma garota de 12 anos.
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