quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Tantas coincidencias


 Se essa pagina fosse uma folha de papel seria possivel ver a folha amarrotada e os pedaços de minha borracha, ou meia borracha ou um terço dela aguardando seu proximo "servicinho" que nao ha de demorar muito...ja escrevi tanta coisa porem ate para uma garota com uma rotina comum como a minha houve coisas demais e dessa maneira pensamentos demais e pouca aceitação dos mesmos, razoavelmente resolvi descrever aqui somente coisas que eu realmente vivi, muitas experiencias eu nao tinha tanta certeza de nao ser um pesadelo real dimais entao nao escrevo, outras eu busquei apagar de minha historia, sei que ainda isso nao é facil mas ao menos as mantenho longe, aprendi cedo que ninguem acreditaria porem aprendi tambem que haveriam coisas que eu  prefiro nao acreditar. 
Comecemos com o dia que eu me aceitei, foi uma afirmação de que nao era só criativa dimais ou uma fase de infancia, na verdade eu era assim e pronto, aceitando ou não eu sabia que meus instintos muitas vezes estariam corretos e dessa forma passei a levar tudo muito a serio, foi como uma responsabilidade nova : "se der errado eu avisei" meu instinto falando com o lado racional =) bom ate hoje deu tudo certo desde entao.


 Somente mais um sonho


 Estava na garupa da moto com meu pai, o dia estava chuvoso e em questao de segundos batemos, nao consegui ver muita coisa a viseira estava embasada, meus olhos queriam me obrigar a dormir mas vi meu pai ele segurava a barriga parecia sentir muita dor, quis ir ate ele mas a escuridao tomou conta de mim, senti um vazio imenso como se nao houvesse nada mais, buscava me mover mas nao sentia meu corpo, e agora meus olhos haviam se entregado ao nada...talvez esse fosse o fim, aquele que todos temem...

ACORDEI

Um alivio imenso, poder respirar, andar, sentir meu coração bater forte, me acalmando como se dizendo: estou aqui. Ignorei o sonho, como qualquer outra pessoa afinal somente mais um sonho, notei que o ceu estava nublado la fora quase chovendo, encontrei meu pai na sala me chamou pra sair de moto com ele, senti um calafrio, mas nao dei tanta importancia assim...porem  nao aceitei o convite, nao estava muito disposta, bom ele foi e como no sonho bateu a moto, contou que sentiu muita dor no abdomen e o resultado foi a retirada do baço...eu nao acredito em coincidências, ainda mais tantas e desde então passei a acreditar no que vejo e sinto.



quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Apenas mais um anoitecer


 Eu tentava dormir no quarto dos meus pais todos os dias, pois queria tanto ter uma boa noite de sono apenas fechar os olhos sem se preocupar com nada, mas eles nao acreditavam em mim, diziam ser minha imaginaçao e certa noite minha mae tentando me deixar tranquila disse que ia fazer algo para que ninguem tocasse em mim, eu compreendo o fato dela nao acreditar em mim mas ao menos naquela noite ela se esforçou em me deixar bem colocou duas cobertas em minha cama e a prendeu de todos os lados firme embaixo do colchao, sabendo que eu nao sairia daquele meu porto seguro por nada e com receio de passar mal pelo calor ligou um ventilador no pe de minha cama me deu boa noite e permitiu que eu dormisse com a luz do meu quarto acesa.

 Estava tao contente, pensei finalmente nada podera me fazer mal fechei os olhos despreocupada depois de muito tempo, mas algo quis mostrar me que faria o que bem entendesse independente de qualquer precaução. Escutei passos no corredor, abri os olhos pensei que fosse minha mae

 -Mae, traz um copo de agua por favor!

(silencio)

No instante seguinte surgira uma mao com unhas longas vermelhas, somente a mao agora seguia em direção ao interruptor e  a escuridão reinava, o som do ventilador crescia como se houvesse uma maneira de controlar seu volume, me mantive ali, acreditando que presa nada poderia me fazer mal, porem ainda presa nao havia a minima chance de sair de la e buscar proteção ainda que na desconfiança dos meus pais.

Eu estava sozinha, e sabia disso, sempre percebi que as situações exigiam uma maturidade de mim que nem alguns anos mais poderiam dar-me mas foi assim na marra e no desespero do  irreal, na solidao do que apenas eu podia observar cresci. Pensei posso gritar, minha voz sera minha liberdade, ainda que irrite meus pais eu nao quero continuar nessa escuridao de possibilidades a merce do acaso, respirei o mais fundo que meus pulmões suportavam e quando o grito tentou me salvar, apenas o ar saiu de minha boca, não havia som, presa no silencio, eu estava impossibilitada, eu não podia nem falar.

Eu pensava talvez podiam me levar logo, mas logo entendi prender me no breu, roubar minha voz era muito mais interessante para quem desejava meu mal.

Agora senti algo tocar minha barriga, e eu estava congelada nos segundos de modo a não me mover, pensava nas duas cobertas, como algo poderia ter passado por elas e em meio ao turbilhão de pensamentos: DOR.

 Unhas me arranhavam e apesar de me roubarem tudo, ainda havia minhas lagrimas, elas ainda podiam traduzir me e descarregar pequenas gotas de sofrimento de incapacidade, a noite durara quase uma semana.

 Quando senti que minhas forças retornavam, e podia gritar, e me mexer tentei sair da cama e pra minha surpresa as cobertas ainda estavam la me prendendo por todos os lados como se nada tivesse acontecido, mas em minha alma continuara todas as marcas que aquela noite causara...e esta foi somente mais uma noite rotineira de alguém que só conseguia pensar o que mais poderiam fazer na noite seguinte.

Contradições


 Pode surgir momentos que digo que portas não me protegem e outros que contarei como prendi com todas as minhas forças a fechadura da porta enquanto do outro lado algo forçava tentando abrir, ainda que eu estivesse sozinha em casa. Então achei interessante explicar isso tambem apesar de nao saber nada sobre, apenas o que vi...

 As vezes me perguntam mas como eles são, são pessoas comuns? O que entendi ate hoje é que nao são como nós humanos, havendo somente um tipo, eles são diferentes uns dos outros, ja presenciei sombras com formato humano, outras vezes sombras sem a cabeça, outras uma pessoa comum, só sabendo que nao era alguem vivo pelo que senti, cada um carrega uma energia de forma que sei distinguir sabe se la como o que querem se causar mal ou bem, tambem ja presenciei um "anjo" o chamo assim pelo que fez por mim, mas nao carregava asas nem aureola mas foi meu anjo (algo que contarei depois).

Hoje em dia passei a nomea-los de visitantes por virem tao rapido quanto se vão

Uma prisão chamada noite

O cair da noite era um martirio para mim e por mais que eu passase o dia todo me preparando eu nunca estive realmente preparada.

 Mas com sinceridade apesar de não desejar nenhuma das minhas experiencias para ninguem, elas me transformaram em quem sou, sou a mulher que ao ouvir um ruido não cobre a cabeça com o cobertor mas cria uma armadilha ao possivel oponente. Sou a mulher que age de acordo com o que acredita independente das consequências, que fica quase roxa se tenta contar uma mentira e que sempre que demonstra um sorriso é sincero porque sei o quão precioso é poder carrega-lo...não sou perfeita de forma alguma mas sou aquela que desejei quando me perguntavam o que eu queria ser quando crescesse e isso me basta.

Mudanças nem sempre sao para melhor


 Depois do episodio anterior sendo criança, aquilo foi como um ralado no joelho os dias passaram e eu de alguma forma fiquei bem, porem um dia meus pais resolveram mudar de cidade, para qualquer um seria dificil mudar de casa,escola, cidade e eu nao sei mas assim que soube da noticia senti algo ruim, um calafrio e nao queria mudar de maneira alguma... e eu tinha tanto direito a opinar quanto qualquer estranho, ou seja mudamos assim mesmo...

 Ai que meus dias se tornaram realmente rotineiros!

Teve dias em que achei no minimo curioso, normalmente nós ficamos alertas na rua, proximo a estranhos, entretanto quando em casa finalmente se baixa a guarda pesada que carregou durante o dia ja comigo eu tinha de dobrar os cuidados...

 Como posso explicar rapidamente o sobrado pro qual me mudei...hm:

- Basicamente era enorme, tinha o portao da garagem e ao lado uma porta que dava acesso as escadas, ao fim das escadas duas portas uma para a cozinha e outra para a sala, na sala haviam tres portas: esta das escadas, uma que dava acesso ao corredor onde ficavam os quartos, banheiro e cozinha e outra porta que dava acesso a varanda. Na varanda tinham duas portas a da sala e uma do quarto dos meus pais...bom tem mais pontos pra explicar mas com esse previo entendimento voce ja pode imaginar um pouco dos meus dias la.

 O dia estava lindo

Vou contar uma ocasião que de certa maneira elucidou o quanto eu estava desprotegida de qualquer forma. Meus pais sairam e eu nao quis ir junto, fiquei sozinha na casa  e como toda pré-adolescente estava animada para ligar o radio bem alto e ouvir as musicas que mais gostava, não demorou muito assim que o girei o botão do volume ouvi me chamarem la da porta ao lado da garagem, abaxei a musica para saber quem era e nao ouvi mais me chamarem, olhei pela janela da sala onde dava para ver toda a frente da casa e não havia ninguem, entao quando fui aumentar a musica ouvi novamente meu nome sendo gritado das escadas... lembro ate hoje da minha inocencia do momento...

 -Mãe?

Ninguem respondeu, antes de aumentar novamente o radio gritei:

-Mãe, to aqui em cima na sala, sobe.

É não era minha mãe mas algo me obedeceu, assim que fui tocar no volume do radio para aumentar, algo encostou nos meus ombros (nao vi ninguem) e gritou ao lado do meu ouvido esquerdo meu nome- PARALIZEI, congelei... pensei em correr, em sair da casa mas fugir do que exatamente, nao havia nada ali porem era tao real quanto chutar com o dedinho do pe o canto do sofa.Me senti tao indefesa, tao vulneravel que apenas desliguei o radio me sentei no sofá e ali fiquei, talvez algumas longas horas me sentindo observada.

Com o tempo não apenas via, ouvia mas sentia também. Conseguia saber quando alguém estava se aproximando, mesmo que distante e sem ver, era como se todo o comodo tivesse sua própria energia e a presença de uma pessoa viva ou morta alterasse completamente aquele equilíbrio e quanto mais próxima mais meu corpo sinalizava como uma defesa. O medo pode nos alterar de formas inimagináveis, ainda mais uma garota de 12 anos.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Mas ele esta bem ali...

 Foi assim que tudo começou e eu tinha apenas 8 anos de idade.

  Bom chegamos ao meu primeiro dia normal que dava inicio aos longos anos normais da minha vida, morava numa cidadezinha do interior e como muitas crianças da minha idade acordei cedo, minha mãe sempre presente me preparou para ir pra escola, eu amava a escola como toda criança e estudar de manha me dava a oportunidade de apreciar o sol nascendo todas as manhas sempre fui uma apaixonada por tudo a minha volta.

 Tenho 21 anos hoje mas nunca mais esqueci essa experiencia, talvez porque foi o inicio talvez porque foi a primeira vez que duvidaram de mim...vou parar de dar voltas e entregar te logo o que ocorreu apenas queria prepara-lo.

 Estava na aula, sentada na minha carteira desenhando algo num caderno e a porta da sala abriu e foi ai que descobri que era diferente das outras crianças, todos viram uma porta se abrir mas para eles era somente o vento e eu vi meu vô abrindo aquela porta, porem ele havia falecido quando eu era bem mais nova. Ele entrou na sala e veio em direção a minha carteira, meu coração passara a me machucar de tanto que tentava fugir de mim, eu simplesmente não estava preparada para aquilo, acho que ninguém nunca estará por mais vezes que ocorra é sempre difícil encarar a situação. Apesar da pouca idade eu compreendia perfeitamente que não poderia mais ver os que partiram, somente aqueles mini retratos cheios de historia perdidos em alguma gaveta.

 Ele parou na minha frente e eu na verdade não sabia como reagir então tive a atitude mais madura possível de chorar e correr em direção a professora, mas sendo uma adulta ela teve a pior decisão possível, me obrigou a voltar pro meu lugar e ficar sentada nele, proibida de sair e fiquei la debruçada cara a cara com meu bicho papão, eu entendo que era meu avô, porem como se sentir quando vê algo que ninguém mais pode ver...o que mais pode te acontecer sem que as outras pessoas possam protege-la.

 Enfim acabado a aula finalmente estava livre, como uma criança que não aprende contei pra minha mãe o ocorrido e novamente ouvi que estava apenas imaginando, porem um tempo depois numa conversa com minha ela me disse que achava estranho eu saber exatamente como ele estava vestido quando foi enterrado,afinal seria impossível eu lembrar.

 Depois de ter vivenciado a experiencia mais assustadora da minha vida ate então, eu pensava que foi apenas um dia e aquilo nunca mais iria acontecer, mal sabia que era apenas o inicio de uma vida bem diferente das dos outros.

...

 Nunca me senti parte de algo realmente, sempre era atipica a situaçoes corriqueiras, nao gosto de comemorar aniversarios, nunca tive realmente um grupo de amigos muito grande nao teria energias de manter tantas amizades.

 Sempre busquei me aperfeiçoar em algo, ter um motivo de orgulho, uma zona de conforto. Tentei esportes, não era de todo mal mas havia pessoas muito melhores, apesar de me esforçar notei que não era pra mim...busquei cálculos, mas eram tao "crus", digo no sentido de não haver alem, algo que se limita ao seu resultado final de maneira a acabar ali, alem de serem rotineiros afinal 1+1 nunca deixara de ser 2!  Não gostava dessas verdades mastigadas e concretas, dessa forma logo já estava apaixonada por filosofia, matéria essa que responde com outra pergunta num infinito de indagações e novas fronteiras e dessa forma notei na escrita uma liberdade, finalmente me senti boa em algo, sei que ha muitos melhores mas ja me faz bem dominar me através das palavras como quem joga as tristezas no lixo e destaca em negrito as alegrias.

 Meu objetivo neste blog é guardar as minhas verdades que todos tanto duvidam, como sendo experiencias comuns, afinal são parte dos meus dias, e desta maneira são minha realidade e por fim minha mais pura verdade. O endereço do blog "somentemaisumsonho", confesso que ha um tanto de sarcasmo, mas é parte de minha realidade também, sempre que contava o que havia passado, sempre que pedi ajuda, me diziam acalme-se foi somente mais um sonho e desta forma lhes apresento o blog com a explicação (alheia) mais esfarrapada possível. E se alguém estiver lendo, prazer sou a Debb e seja bem vindo aos meus "sonhos".