quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Apenas mais um anoitecer


 Eu tentava dormir no quarto dos meus pais todos os dias, pois queria tanto ter uma boa noite de sono apenas fechar os olhos sem se preocupar com nada, mas eles nao acreditavam em mim, diziam ser minha imaginaçao e certa noite minha mae tentando me deixar tranquila disse que ia fazer algo para que ninguem tocasse em mim, eu compreendo o fato dela nao acreditar em mim mas ao menos naquela noite ela se esforçou em me deixar bem colocou duas cobertas em minha cama e a prendeu de todos os lados firme embaixo do colchao, sabendo que eu nao sairia daquele meu porto seguro por nada e com receio de passar mal pelo calor ligou um ventilador no pe de minha cama me deu boa noite e permitiu que eu dormisse com a luz do meu quarto acesa.

 Estava tao contente, pensei finalmente nada podera me fazer mal fechei os olhos despreocupada depois de muito tempo, mas algo quis mostrar me que faria o que bem entendesse independente de qualquer precaução. Escutei passos no corredor, abri os olhos pensei que fosse minha mae

 -Mae, traz um copo de agua por favor!

(silencio)

No instante seguinte surgira uma mao com unhas longas vermelhas, somente a mao agora seguia em direção ao interruptor e  a escuridão reinava, o som do ventilador crescia como se houvesse uma maneira de controlar seu volume, me mantive ali, acreditando que presa nada poderia me fazer mal, porem ainda presa nao havia a minima chance de sair de la e buscar proteção ainda que na desconfiança dos meus pais.

Eu estava sozinha, e sabia disso, sempre percebi que as situações exigiam uma maturidade de mim que nem alguns anos mais poderiam dar-me mas foi assim na marra e no desespero do  irreal, na solidao do que apenas eu podia observar cresci. Pensei posso gritar, minha voz sera minha liberdade, ainda que irrite meus pais eu nao quero continuar nessa escuridao de possibilidades a merce do acaso, respirei o mais fundo que meus pulmões suportavam e quando o grito tentou me salvar, apenas o ar saiu de minha boca, não havia som, presa no silencio, eu estava impossibilitada, eu não podia nem falar.

Eu pensava talvez podiam me levar logo, mas logo entendi prender me no breu, roubar minha voz era muito mais interessante para quem desejava meu mal.

Agora senti algo tocar minha barriga, e eu estava congelada nos segundos de modo a não me mover, pensava nas duas cobertas, como algo poderia ter passado por elas e em meio ao turbilhão de pensamentos: DOR.

 Unhas me arranhavam e apesar de me roubarem tudo, ainda havia minhas lagrimas, elas ainda podiam traduzir me e descarregar pequenas gotas de sofrimento de incapacidade, a noite durara quase uma semana.

 Quando senti que minhas forças retornavam, e podia gritar, e me mexer tentei sair da cama e pra minha surpresa as cobertas ainda estavam la me prendendo por todos os lados como se nada tivesse acontecido, mas em minha alma continuara todas as marcas que aquela noite causara...e esta foi somente mais uma noite rotineira de alguém que só conseguia pensar o que mais poderiam fazer na noite seguinte.

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