quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Mas ele esta bem ali...

 Foi assim que tudo começou e eu tinha apenas 8 anos de idade.

  Bom chegamos ao meu primeiro dia normal que dava inicio aos longos anos normais da minha vida, morava numa cidadezinha do interior e como muitas crianças da minha idade acordei cedo, minha mãe sempre presente me preparou para ir pra escola, eu amava a escola como toda criança e estudar de manha me dava a oportunidade de apreciar o sol nascendo todas as manhas sempre fui uma apaixonada por tudo a minha volta.

 Tenho 21 anos hoje mas nunca mais esqueci essa experiencia, talvez porque foi o inicio talvez porque foi a primeira vez que duvidaram de mim...vou parar de dar voltas e entregar te logo o que ocorreu apenas queria prepara-lo.

 Estava na aula, sentada na minha carteira desenhando algo num caderno e a porta da sala abriu e foi ai que descobri que era diferente das outras crianças, todos viram uma porta se abrir mas para eles era somente o vento e eu vi meu vô abrindo aquela porta, porem ele havia falecido quando eu era bem mais nova. Ele entrou na sala e veio em direção a minha carteira, meu coração passara a me machucar de tanto que tentava fugir de mim, eu simplesmente não estava preparada para aquilo, acho que ninguém nunca estará por mais vezes que ocorra é sempre difícil encarar a situação. Apesar da pouca idade eu compreendia perfeitamente que não poderia mais ver os que partiram, somente aqueles mini retratos cheios de historia perdidos em alguma gaveta.

 Ele parou na minha frente e eu na verdade não sabia como reagir então tive a atitude mais madura possível de chorar e correr em direção a professora, mas sendo uma adulta ela teve a pior decisão possível, me obrigou a voltar pro meu lugar e ficar sentada nele, proibida de sair e fiquei la debruçada cara a cara com meu bicho papão, eu entendo que era meu avô, porem como se sentir quando vê algo que ninguém mais pode ver...o que mais pode te acontecer sem que as outras pessoas possam protege-la.

 Enfim acabado a aula finalmente estava livre, como uma criança que não aprende contei pra minha mãe o ocorrido e novamente ouvi que estava apenas imaginando, porem um tempo depois numa conversa com minha ela me disse que achava estranho eu saber exatamente como ele estava vestido quando foi enterrado,afinal seria impossível eu lembrar.

 Depois de ter vivenciado a experiencia mais assustadora da minha vida ate então, eu pensava que foi apenas um dia e aquilo nunca mais iria acontecer, mal sabia que era apenas o inicio de uma vida bem diferente das dos outros.

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